Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 04 de 14 · 7 tópicos · 22 afirmações

Sensação, percepção e psicofísica

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

Psicofísica: limiares, Weber e detecção de sinal

A psicofísica estuda a relação entre a intensidade física de um estímulo e a sensação que ele produz. O limiar absoluto é a intensidade detectada em metade das tentativas, não uma fronteira fixa: a detecção cresce gradualmente com a intensidade. O limiar diferencial é a menor mudança percebida, e a lei de Weber diz que ele é uma fração constante do estímulo inicial, por isso notamos gramas a mais num envelope e não numa mala. A lei de Fechner e a lei de potência de Stevens descrevem como a sensação cresce mais devagar ou mais rápido que o estímulo, conforme a modalidade. A teoria de detecção de sinal separa sensibilidade de critério de decisão, com acertos, alarmes falsos, omissões e rejeições corretas. O erro comum é imaginar limiares como interruptores.

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02

Visão: olho e cor

A luz atravessa córnea, pupila e cristalino e forma na retina uma imagem invertida. Ali, bastonetes respondem a pouca luz e sustentam a visão noturna, sem cor; cones concentram-se na fóvea e dão acuidade e cor. Onde o nervo óptico sai não há receptores, o ponto cego, que o cérebro preenche. A informação segue para o tálamo e o córtex visual, onde células detectam bordas, orientação e movimento. A cor começa com três tipos de cone, a teoria tricromática, e continua em processos oponentes vermelho-verde e azul-amarelo, que explicam as pós-imagens em cor complementar. A cor percebida depende também do contexto ao redor, não só da luz refletida. O erro comum é atribuir a visão em cores aos bastonetes.

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03

Organização perceptual, profundidade e ilusões

Perceber é mais do que registrar: o cérebro organiza as sensações. Os princípios da Gestalt descrevem como agrupamos por proximidade, semelhança, continuidade e fechamento, e como separamos figura de fundo. A profundidade é recuperada a partir de pistas binoculares, como a disparidade entre as imagens dos dois olhos, e de muitas pistas monoculares, como tamanho relativo, oclusão, perspectiva linear e gradiente de textura, por isso uma pessoa com um olho só ainda percebe distância. As constâncias de tamanho, forma e cor mantêm os objetos estáveis apesar das mudanças na retina: quem se afasta parece do mesmo tamanho, não encolhe. Ilusões como a de Müller-Lyer e a da lua revelam essas regras quando elas falham.

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04

Audição

O som é uma onda de pressão cuja frequência percebemos como altura e cuja amplitude percebemos como intensidade. A orelha externa canaliza a onda ao tímpano; os ossículos da orelha média a amplificam; na cóclea, a membrana basilar vibra e as células ciliadas transformam o movimento em sinais nervosos que seguem ao tálamo e ao córtex auditivo. A altura é codificada por lugar, com regiões da membrana respondendo a frequências diferentes, e por frequência de disparo nos tons graves. Localizamos sons comparando o tempo e a intensidade com que chegam a cada orelha. A perda auditiva pode ser de condução ou neurossensorial, por dano às células ciliadas, que não se regeneram. O erro comum é achar que ouvir alto só cansa, sem danificar.

05

Paladar, olfato, tato e dor

O paladar reconhece poucas qualidades básicas, doce, salgado, azedo, amargo e umami, pelos receptores das papilas; o sabor rico dos alimentos vem sobretudo do olfato, que detecta moléculas no ar pela via retronasal, por isso a comida perde graça com o nariz entupido. O olfato é o único sentido que chega ao córtex sem passar pelo tálamo e tem ligação direta com memória e emoção. O tato combina receptores de pressão, temperatura e dor na pele, mapeados no córtex somatossensorial de forma desproporcional. A dor é modulada no caminho: a teoria do portão descreve como sinais da medula e do cérebro podem bloquear ou amplificar a mensagem, o que explica a influência de atenção, expectativa e endorfinas. O erro comum é tratar a dor como simples alarme fiel do tecido.

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06

Atenção e cegueiras perceptivas

A atenção seleciona o que entra na consciência, porque a capacidade de processamento é limitada. A atenção seletiva permite seguir uma conversa numa festa barulhenta e, ainda assim, captar o próprio nome dito em outro canto, sinal de que o material não atendido recebe algum processamento. Quando a atenção está presa a uma tarefa, um evento visível pode passar em branco, a cegueira desatencional, como um gorila atravessando a cena; e grandes mudanças numa imagem passam despercebidas se ocorrem durante um piscar ou corte, a cegueira à mudança. Estímulos mostrados rápido demais para serem reconhecidos ainda podem facilitar o reconhecimento de palavras relacionadas, o priming subliminar, um efeito breve e modesto. O erro comum é acreditar que vemos tudo o que está diante dos olhos.

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07

Mitos sobre os sentidos

Várias crenças populares sobre os sentidos não resistem às evidências. Não temos exatamente cinco sentidos: além de visão, audição, olfato, paladar e tato, há equilíbrio, propriocepção, temperatura, dor e sinais internos do corpo. A famosa história de mensagens subliminares num cinema que teriam disparado vendas de pipoca foi inventada por quem a divulgou e nunca se replicou; o priming subliminar existe, mas não vende produtos nem muda decisões importantes. Cenoura só ajuda a visão de quem tem deficiência de vitamina A. A sinestesia é um fenômeno perceptivo real, consistente e verificável em laboratório, não só uma metáfora. O erro comum é aceitar explicações sobre os sentidos por serem repetidas há muito tempo.

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