Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 05 de 14 · 7 tópicos · 62 afirmações

Aprendizagem e aprendizagem social

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

O que é aprender

Aprender é uma mudança relativamente duradoura no comportamento ou no conhecimento produzida pela experiência. As formas mais simples não exigem associação entre eventos: na habituação, a resposta a um estímulo repetido e inofensivo vai enfraquecendo, o que permite ignorar o relógio na parede ou o ruído do trânsito; na sensibilização, um estímulo intenso ou doloroso deixa o organismo mais reativo a tudo o que vem depois. Esses processos aparecem até em animais com sistemas nervosos muito simples, como a lesma-do-mar estudada por Kandel. O erro comum é tratar habituação como cansaço dos sentidos: uma pequena mudança no estímulo traz a resposta de volta, sinal de que o sistema nervoso continua registrando o que acontece.

Afirmações deste tópico

02

Condicionamento clássico

Pavlov observou que um estímulo neutro, pareado repetidamente com algo que já provoca uma resposta automática, passa a provocá-la sozinho: vira estímulo condicionado, e a reação aprendida é a resposta condicionada. Depois da aquisição vem a extinção, quando o estímulo aparece sem o parceiro e a resposta enfraquece; um intervalo de descanso pode trazê-la de volta por recuperação espontânea. A resposta também se generaliza para estímulos parecidos e pode ser discriminada quando só um deles é seguido do evento. O pequeno Albert, de Watson, e a aversão a sabores, de Garcia, mostram que medos e enjoos se aprendem assim, às vezes numa única experiência. O engano frequente é achar que a extinção apaga a aprendizagem original.

Afirmações deste tópico

03

Condicionamento operante

No condicionamento operante, descrito por Thorndike e sistematizado por Skinner, o comportamento é moldado pelas consequências. Reforço é qualquer consequência que torna o comportamento mais provável: positivo quando algo é acrescentado, negativo quando algo desagradável é retirado. Punição torna o comportamento menos provável e também pode ser positiva ou negativa. Comportamentos complexos surgem por modelagem, recompensando aproximações sucessivas do ato final. Reforçadores primários satisfazem necessidades biológicas; secundários, como dinheiro, ganham valor por associação. Dois enganos são comuns: confundir reforço negativo com punição, que têm efeitos opostos, e supor que punir é a forma mais eficaz de ensinar. A punição informa o que não fazer, mas não ensina o comportamento desejado, e prêmios externos podem reduzir o interesse por uma atividade já prazerosa.

Afirmações deste tópico

04

Esquemas de reforço e comportamento

Reforçar toda resposta ensina rápido, mas o comportamento some rápido quando o reforço para. Reforço parcial, entregue só em algumas ocasiões, produz comportamentos mais resistentes à extinção. Os esquemas variam em duas dimensões: razão, baseada no número de respostas, ou intervalo, baseado no tempo; fixo ou variável. Esquemas de razão variável, como os de caça-níqueis, geram respostas altas e persistentes. Skinner mostrou que pombos alimentados em horários fixos, sem relação com o que faziam, desenvolviam rituais repetitivos, um modelo de superstição. No sentido oposto, Seligman descobriu que animais expostos a choques inevitáveis deixavam de tentar fugir mesmo quando a fuga se tornava possível, o desamparo aprendido. O erro comum é pensar que recompensas previsíveis e constantes mantêm melhor um comportamento.

Afirmações deste tópico

05

Aprendizagem por observação

Grande parte do que sabemos foi aprendido vendo outras pessoas fazerem, sem reforço direto. Bandura demonstrou isso com o boneco João-Bobo: crianças que assistiram a um adulto agredindo o boneco reproduziram os golpes, e com mais frequência quando o adulto era recompensado. A observação transmite comportamentos e também o que esperar deles, e o aprendizado pode ficar latente até surgir uma ocasião. Medos se aprendem assim: macacos criados em laboratório passam a temer cobras depois de ver outro macaco assustado. Neurônios-espelho e a imitação precoce em bebês sugerem uma base biológica para copiar os outros. O debate sobre violência na mídia parte desses achados: a exposição está associada a mais agressividade, mas o efeito é modesto e depende de muitos outros fatores.

Afirmações deste tópico

06

Cognição e biologia na aprendizagem

A visão de que aprender é só formar associações mecânicas foi corrigida por evidências cognitivas e biológicas. Tolman mostrou que ratos exploravam labirintos sem recompensa e, quando ela aparecia, revelavam de imediato um mapa cognitivo: a aprendizagem latente já existia. Rescorla demonstrou que no condicionamento clássico o que conta não é a mera contiguidade, mas o quanto um estímulo prevê o outro; no bloqueio, descoberto por Kamin, um estímulo que já prevê perfeitamente o evento impede que um segundo, apresentado junto, seja aprendido. Do lado biológico, cada espécie está preparada para certas associações: sabor liga-se facilmente a enjoo, e luz ou som a choque, não o contrário. Alterações nas sinapses, como a potenciação de longo prazo, sustentam essas mudanças.

Afirmações deste tópico

07

Mitos sobre aprender

Várias crenças populares sobre aprendizagem não resistem aos dados. A ideia de que cada pessoa aprende melhor no seu estilo (visual, auditivo, cinestésico) é aceita por muitos professores, mas estudos que combinaram ou descombinaram ensino e estilo não encontraram vantagem. Gravações durante o sono não ensinam idiomas; o sono consolida o que foi estudado acordado. O efeito Mozart foi um ganho pequeno e passageiro em uma tarefa espacial, não um aumento duradouro de inteligência. As dez mil horas descrevem o treino de especialistas, mas prática por si só não garante excelência e a quantidade necessária varia muito. Por fim, treinar um tipo de problema até dominá-lo parece eficiente, mas misturar tipos na mesma sessão produz aprendizagem mais durável.

Afirmações deste tópico

Jogar Aprendizagem e aprendizagem social