Emoção e motivação
Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.
O que é emoção: teorias clássicas
Emoções combinam experiência subjetiva, reação corporal e tendência de ação. James e Lange propuseram que a emoção é a percepção da mudança corporal: sentimos medo porque o corpo reage. Cannon objetou que reações semelhantes aparecem em emoções diferentes e até sem emoção, como em febre ou exercício, e que o corpo responde devagar demais. A teoria dos dois fatores de Schachter e Singer sustenta que a mesma ativação pode virar euforia ou raiva conforme a situação a que a pessoa a atribui. O estudo da ponte suspensa mostra a atribuição errada: a excitação do medo foi lida como atração. Pessoas com lesão medular ainda sentem emoções, o que enfraquece a versão forte de James-Lange.
Afirmações deste tópico
- “Segundo a teoria de James-Lange, primeiro sentimos a emoção e só depois o corpo reage com coração acelerado e tremor.”Responder
- “A mesma ativação fisiológica pode ser sentida como euforia ou como raiva, dependendo da situação em que a pessoa está.”Responder
- “Homens que acabaram de atravessar uma ponte suspensa alta e instável acharam uma entrevistadora mais atraente do que os que cruzaram uma ponte baixa e firme.”Responder
- “A teoria de Cannon-Bard propõe que a reação do corpo e a experiência da emoção acontecem ao mesmo tempo, e não uma depois da outra.”Responder
- “No experimento de Schachter e Singer, os participantes avisados dos efeitos da injeção de adrenalina foram os que mais copiaram a emoção do falso participante.”Responder
- “Cannon criticou a teoria de James-Lange mostrando que as mesmas reações corporais aparecem em emoções diferentes e até em estados sem emoção, como febre e exercício.”Responder
- “Pessoas com lesão na medula espinhal, que perdem a sensação da maior parte do corpo, deixam de sentir emoções.”Responder
- “Pessoas passaram a preferir figuras que tinham visto em exposições tão rápidas que não conseguiam reconhecê-las, sugerindo que uma reação afetiva pode surgir sem reconhecimento consciente.”Responder
Cérebro e emoção
A amígdala é central para avaliar ameaças e aprender o que temer. Pessoas com lesão bilateral nessa estrutura têm dificuldade específica para reconhecer medo em rostos, embora identifiquem outras expressões. LeDoux descreveu duas vias: uma rápida, do tálamo direto à amígdala, que dispara a reação antes de o córtex terminar de analisar o estímulo, e uma lenta, que refina a avaliação. O córtex pré-frontal integra emoção e raciocínio: pacientes que perdem a capacidade de sentir após lesão nessa região não ficam mais racionais; tomam decisões piores, porque faltam os sinais corporais que marcam opções boas e ruins. O erro comum é opor emoção e razão como forças rivais.
Afirmações deste tópico
- “A amígdala é o centro do medo no cérebro, uma região dedicada exclusivamente a produzir essa emoção.”Responder
- “O hemisfério direito é o lado emocional do cérebro e o esquerdo é o lado racional, e cada pessoa usa predominantemente um deles.”Responder
- “Após uma barra de ferro atravessar seu lobo frontal, o operário Phineas Gage sobreviveu, mas sua personalidade e seu controle emocional mudaram.”Responder
- “Pessoas que perdem a capacidade de sentir emoções após lesão no córtex pré-frontal passam a tomar decisões mais racionais e vantajosas.”Responder
- “Meta-análises de neuroimagem mostram que cada emoção básica, como raiva ou tristeza, é produzida por uma região cerebral própria e exclusiva.”Responder
- “Macacos que tiveram os lobos temporais removidos, incluindo a amígdala, tornaram-se mansos e deixaram de temer cobras e pessoas.”Responder
- “Pessoas com lesão bilateral na amígdala têm dificuldade específica para reconhecer medo em rostos.”Responder
- “Um sinal de perigo chega à amígdala por uma via rápida vinda do tálamo antes de o córtex terminar de analisar o estímulo.”Responder
- “Uma paciente sem amígdala, que não sentia medo em casas assombradas nem ao segurar cobras, teve um ataque de pânico ao inalar ar rico em gás carbônico.”Responder
Expressão, cultura e regras de exibição
Algumas expressões faciais são reconhecidas em todo o mundo. Ekman mostrou fotos de ocidentais a um povo isolado da Papua-Nova Guiné, sem contato com a mídia, e eles identificaram as emoções básicas acima do acaso. A cultura regula quando e para quem mostrar o que se sente: estudantes japoneses e americanos fizeram caretas parecidas diante de filmes desagradáveis quando sozinhos, mas os japoneses mascararam as expressões na presença de um pesquisador. Expressões são contagiosas: imitamos sem perceber o rosto dos outros, e o humor passa de uma pessoa a outra. A promessa de ler mentiras pelo rosto, porém, não se confirma: mesmo especialistas em microexpressões acertam pouco acima do acaso.
Afirmações deste tópico
- “Pessoas de um povo isolado da Papua-Nova Guiné, sem contato com a mídia ocidental, reconheceram expressões faciais básicas de ocidentais.”Responder
- “A alegria ou a irritação de uma pessoa tende a passar para quem está perto, em parte porque imitamos sem perceber as expressões dos outros.”Responder
- “Especialistas treinados em microexpressões identificam mentiras pelo rosto com acerto quase perfeito.”Responder
- “Sorrisos de alegria espontânea costumam contrair também os músculos ao redor dos olhos, enquanto sorrisos de cortesia tendem a mover só a boca.”Responder
- “Estudantes japoneses e americanos mostraram exatamente as mesmas expressões faciais ao assistir a filmes desagradáveis, tanto sozinhos quanto diante de um pesquisador.”Responder
- “Atletas cegos de nascença fizeram, ao vencer ou perder uma competição, expressões faciais parecidas com as de atletas que enxergam.”Responder
- “Quando precisam nomear livremente a emoção de um rosto, sem lista de opções, pessoas de qualquer cultura acertam a emoção básica em quase 100% dos casos.”Responder
- “Olhando apenas o rosto de tenistas fotografados no auge de um ponto decisivo, as pessoas distinguem com facilidade quem acabou de vencer de quem acabou de perder.”Responder
Regulação emocional e feedback facial
Regular emoções é modificar sua intensidade, duração ou expressão. Estratégias que agem cedo, como reinterpretar a situação antes que a emoção se instale, reduzem a resposta e seu custo fisiológico; apenas esconder a expressão, a supressão, mantém a ativação interna e ainda consome atenção. A catarse não funciona: descarregar a raiva em um saco de pancadas tende a aumentar, não a diminuir, a agressividade seguinte, porque ensaia o comportamento. A hipótese do feedback facial sustenta que o rosto influencia o que se sente; o experimento da caneta entre os dentes, porém, não se replicou quando 17 laboratórios o repetiram, embora efeitos pequenos apareçam em outras condições. O engano comum é confiar em “colocar para fora”.
Afirmações deste tópico
- “Descarregar a raiva batendo em um saco de pancadas diminui a agressividade em seguida.”Responder
- “Esconder a expressão de uma emoção forte, mantendo o rosto neutro, faz a ativação fisiológica do corpo diminuir, como se a emoção fosse desligada.”Responder
- “Quando alguém tenta não pensar em um urso branco, o pensamento volta com mais frequência do que se a pessoa não tivesse tentado suprimi-lo.”Responder
- “O experimento clássico da caneta entre os dentes, que faria charges parecerem mais engraçadas, foi replicado com sucesso quando 17 laboratórios o repetiram.”Responder
- “Nomear em palavras o que se sente diante de uma imagem perturbadora tende a reduzir a ativação da amígdala.”Responder
- “Relembrar uma experiência dolorosa como se fosse um observador de fora, em vez de revivê-la em primeira pessoa, reduz o sofrimento ao recordá-la.”Responder
- “Reinterpretar uma situação antes que a emoção se instale reduz a resposta emocional mais do que apenas esconder a expressão.”Responder
- “Paralisar com toxina botulínica os músculos da testa usados para franzir não altera em nada a experiência emocional, o que refuta de vez a hipótese do feedback facial.”Responder
- “Uma meta-análise de mais de cem estudos concluiu que o feedback facial tem efeito real sobre a experiência emocional, embora pequeno.”Responder
O que motiva: impulsos, ativação e necessidades
Motivação é o que inicia, dirige e sustenta o comportamento. A teoria dos impulsos explica ações que corrigem desequilíbrios internos, como fome e sede, pela homeostase. Mas também buscamos estímulo: a lei de Yerkes-Dodson descreve uma relação em U invertido entre ativação e desempenho, em que tarefas difíceis pedem ativação moderada, nem baixa demais nem alta demais. Maslow ordenou as necessidades em uma pirâmide, do fisiológico à realização pessoal. A ordem é intuitiva, mas a evidência não confirma que uma necessidade precise ser satisfeita por completo antes de a seguinte aparecer; pessoas buscam vínculo e sentido mesmo em privação. A pirâmide funciona como lembrete, não como lei.
Afirmações deste tópico
- “Em tarefas difíceis, um nível moderado de ativação produz desempenho melhor do que níveis muito baixos ou muito altos.”Responder
- “Só os estados internos do corpo, como fome e sede, movem o comportamento; estímulos atraentes do ambiente não têm papel motivacional.”Responder
- “Dizer que uma pessoa compete porque tem um instinto de competição é uma explicação aceita pela psicologia atual da motivação.”Responder
- “Estudantes bem pagos para ficar deitados em um quarto sem estímulos sensoriais acharam a experiência tão agradável que pediram para continuar por vários dias.”Responder
- “Para tarefas fáceis e bem treinadas, o nível de ativação que produz o melhor desempenho é mais alto do que para tarefas difíceis.”Responder
- “Masters e Johnson descreveram, a partir de observação em laboratório, um ciclo de resposta sexual humana em quatro fases: excitação, platô, orgasmo e resolução.”Responder
- “A evidência confirma que uma pessoa só busca estima e realização pessoal depois de satisfazer por completo as necessidades básicas, como na pirâmide de Maslow.”Responder
- “A famosa pirâmide de cinco níveis aparece desenhada no artigo original de Maslow de 1943 sobre a hierarquia das necessidades.”Responder
- “Pessoas com alta necessidade de realização preferem tarefas de dificuldade moderada a tarefas muito fáceis ou quase impossíveis.”Responder
- “Ser excluído de um jogo virtual de passar bola abala o humor e a autoestima mesmo quando a pessoa sabe que os outros jogadores são controlados pelo computador.”Responder
Motivação intrínseca, extrínseca e metas
Motivação intrínseca vem do interesse pela própria atividade; extrínseca, de recompensas ou punições externas. Pagar alguém por algo que já faz por prazer pode minar o interesse, o efeito de superjustificação: a pessoa passa a atribuir seu comportamento ao pagamento e, quando ele some, o interesse diminui. Recompensas informativas, que sinalizam competência, prejudicam menos do que recompensas controladoras. A autodeterminação descreve três necessidades que sustentam o engajamento: autonomia, competência e vínculo. Metas também movem: metas específicas e difíceis produzem desempenho maior do que a instrução de “fazer o melhor possível”, desde que haja feedback e compromisso. O erro comum é supor que mais recompensa sempre significa mais motivação.
Afirmações deste tópico
- “Pagar alguém por uma atividade que ela já faz por prazer aumenta o interesse dela por essa atividade.”Responder
- “Metas específicas e difíceis produzem desempenho maior do que a instrução de simplesmente fazer o melhor possível.”Responder
- “Macacos resolveram repetidamente quebra-cabeças mecânicos sem receber comida ou qualquer outra recompensa, apenas pela atividade em si.”Responder
- “Segundo a teoria da autodeterminação, a motivação intrínseca é favorecida quando a pessoa sente autonomia, competência e vínculo com os outros.”Responder
- “O estado de fluxo, de absorção total em uma atividade, surge sobretudo em tarefas muito fáceis, bem abaixo da habilidade da pessoa.”Responder
- “Em tarefas de grupo, as pessoas tendem a se esforçar menos quando acreditam que sua contribuição individual não pode ser identificada.”Responder
- “Elogiar a inteligência de uma criança após um acerto aumenta sua persistência em tarefas difíceis mais do que elogiar o esforço que ela fez.”Responder
- “Quem define um plano do tipo se acontecer X, então farei Y tem mais chance de cumprir uma meta do que quem apenas se compromete com ela.”Responder
- “Uma recompensa inesperada, entregue só depois da atividade, reduz o interesse da criança pela atividade tanto quanto uma recompensa prometida antes.”Responder
- “Imaginar-se já aprovado e comemorando a nota aumenta mais as horas de estudo e o desempenho na prova do que imaginar o próprio processo de estudar.”Responder
Fome, felicidade e adaptação hedônica
A fome é regulada por sinais do corpo e do cérebro: o hipotálamo integra glicose, leptina e grelina, e lesões em regiões específicas alteram radicalmente a ingestão, como ratos que param de comer após lesão no hipotálamo lateral. O bem-estar subjetivo também tem reguladores. Dinheiro importa, sobretudo quando tira a pessoa da privação; acima disso, o ganho adicional traz pouco. Ganhadores de loteria, meses depois, não se dizem muito mais felizes do que as outras pessoas, e quem sofre perdas graves se adapta mais do que se espera. As pessoas erram ao prever a própria emoção futura: superestimam quanto tempo vão sofrer depois de um revés. O erro comum é esperar que uma conquista mude o humor para sempre.
Afirmações deste tópico
- “Dinheiro não tem nenhuma relação com a felicidade: pessoas pobres e ricas relatam, em média, o mesmo bem-estar.”Responder
- “A fome vem exclusivamente das contrações do estômago vazio, por isso pessoas que tiveram o estômago removido deixam de sentir fome.”Responder
- “As pessoas estimam com boa precisão quanto tempo vão se sentir mal depois de um acontecimento negativo.”Responder
- “Meses depois do prêmio, ganhadores de loteria não se declararam muito mais felizes do que pessoas comuns que não ganharam nada.”Responder
- “Ratos com lesão no hipotálamo lateral param de comer e beber, e morreriam de fome se não fossem alimentados à força.”Responder
- “Ratos com lesão no hipotálamo ventromedial passam a comer muito mais do que o normal e ficam obesos.”Responder
- “Experimentos mostram que gastar uma quantia consigo mesmo traz mais felicidade no fim do dia do que gastar a mesma quantia com outra pessoa.”Responder
- “Pacientes em hemodiálise crônica relataram, ao longo de uma semana, humor médio parecido com o de pessoas saudáveis, embora as saudáveis previssem que seriam muito mais infelizes nessa condição.”Responder