Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 11 de 14 · 7 tópicos · 62 afirmações

Emoção e motivação

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

O que é emoção: teorias clássicas

Emoções combinam experiência subjetiva, reação corporal e tendência de ação. James e Lange propuseram que a emoção é a percepção da mudança corporal: sentimos medo porque o corpo reage. Cannon objetou que reações semelhantes aparecem em emoções diferentes e até sem emoção, como em febre ou exercício, e que o corpo responde devagar demais. A teoria dos dois fatores de Schachter e Singer sustenta que a mesma ativação pode virar euforia ou raiva conforme a situação a que a pessoa a atribui. O estudo da ponte suspensa mostra a atribuição errada: a excitação do medo foi lida como atração. Pessoas com lesão medular ainda sentem emoções, o que enfraquece a versão forte de James-Lange.

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02

Cérebro e emoção

A amígdala é central para avaliar ameaças e aprender o que temer. Pessoas com lesão bilateral nessa estrutura têm dificuldade específica para reconhecer medo em rostos, embora identifiquem outras expressões. LeDoux descreveu duas vias: uma rápida, do tálamo direto à amígdala, que dispara a reação antes de o córtex terminar de analisar o estímulo, e uma lenta, que refina a avaliação. O córtex pré-frontal integra emoção e raciocínio: pacientes que perdem a capacidade de sentir após lesão nessa região não ficam mais racionais; tomam decisões piores, porque faltam os sinais corporais que marcam opções boas e ruins. O erro comum é opor emoção e razão como forças rivais.

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03

Expressão, cultura e regras de exibição

Algumas expressões faciais são reconhecidas em todo o mundo. Ekman mostrou fotos de ocidentais a um povo isolado da Papua-Nova Guiné, sem contato com a mídia, e eles identificaram as emoções básicas acima do acaso. A cultura regula quando e para quem mostrar o que se sente: estudantes japoneses e americanos fizeram caretas parecidas diante de filmes desagradáveis quando sozinhos, mas os japoneses mascararam as expressões na presença de um pesquisador. Expressões são contagiosas: imitamos sem perceber o rosto dos outros, e o humor passa de uma pessoa a outra. A promessa de ler mentiras pelo rosto, porém, não se confirma: mesmo especialistas em microexpressões acertam pouco acima do acaso.

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04

Regulação emocional e feedback facial

Regular emoções é modificar sua intensidade, duração ou expressão. Estratégias que agem cedo, como reinterpretar a situação antes que a emoção se instale, reduzem a resposta e seu custo fisiológico; apenas esconder a expressão, a supressão, mantém a ativação interna e ainda consome atenção. A catarse não funciona: descarregar a raiva em um saco de pancadas tende a aumentar, não a diminuir, a agressividade seguinte, porque ensaia o comportamento. A hipótese do feedback facial sustenta que o rosto influencia o que se sente; o experimento da caneta entre os dentes, porém, não se replicou quando 17 laboratórios o repetiram, embora efeitos pequenos apareçam em outras condições. O engano comum é confiar em “colocar para fora”.

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05

O que motiva: impulsos, ativação e necessidades

Motivação é o que inicia, dirige e sustenta o comportamento. A teoria dos impulsos explica ações que corrigem desequilíbrios internos, como fome e sede, pela homeostase. Mas também buscamos estímulo: a lei de Yerkes-Dodson descreve uma relação em U invertido entre ativação e desempenho, em que tarefas difíceis pedem ativação moderada, nem baixa demais nem alta demais. Maslow ordenou as necessidades em uma pirâmide, do fisiológico à realização pessoal. A ordem é intuitiva, mas a evidência não confirma que uma necessidade precise ser satisfeita por completo antes de a seguinte aparecer; pessoas buscam vínculo e sentido mesmo em privação. A pirâmide funciona como lembrete, não como lei.

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06

Motivação intrínseca, extrínseca e metas

Motivação intrínseca vem do interesse pela própria atividade; extrínseca, de recompensas ou punições externas. Pagar alguém por algo que já faz por prazer pode minar o interesse, o efeito de superjustificação: a pessoa passa a atribuir seu comportamento ao pagamento e, quando ele some, o interesse diminui. Recompensas informativas, que sinalizam competência, prejudicam menos do que recompensas controladoras. A autodeterminação descreve três necessidades que sustentam o engajamento: autonomia, competência e vínculo. Metas também movem: metas específicas e difíceis produzem desempenho maior do que a instrução de “fazer o melhor possível”, desde que haja feedback e compromisso. O erro comum é supor que mais recompensa sempre significa mais motivação.

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07

Fome, felicidade e adaptação hedônica

A fome é regulada por sinais do corpo e do cérebro: o hipotálamo integra glicose, leptina e grelina, e lesões em regiões específicas alteram radicalmente a ingestão, como ratos que param de comer após lesão no hipotálamo lateral. O bem-estar subjetivo também tem reguladores. Dinheiro importa, sobretudo quando tira a pessoa da privação; acima disso, o ganho adicional traz pouco. Ganhadores de loteria, meses depois, não se dizem muito mais felizes do que as outras pessoas, e quem sofre perdas graves se adapta mais do que se espera. As pessoas erram ao prever a própria emoção futura: superestimam quanto tempo vão sofrer depois de um revés. O erro comum é esperar que uma conquista mude o humor para sempre.

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