Ciência ou Bruxaria?
Disciplina 14 de 14 · 6 tópicos · 62 afirmações

Parapsicologia e pseudociência

Aula em tópicos, na ordem dos capítulos de livros-texto de psicologia, e as afirmações da disciplina. Para responder e ver as explicações, jogue esta disciplina: as primeiras afirmações de cada dia são grátis.

01

Ciência versus pseudociência

Ciência e pseudociência podem usar o mesmo vocabulário, mas se distinguem pelo método. Uma afirmação científica é falseável: diz de antemão que resultado a derrubaria, submete-se a testes controlados e à revisão por pares, e é abandonada quando falha. A pseudociência exibe sinais de alerta: hipóteses imunes à refutação, dependência de anedotas e depoimentos, ausência de autocorreção, uso de jargão científico sem substância, apelo a conspirações para explicar a falta de reconhecimento e promessas exageradas. Controles como o duplo-cego existem porque até cientistas honestos se enganam: o cavalo Hans parecia fazer contas, mas respondia a sinais involuntários da plateia, o que só apareceu quando ninguém presente sabia a resposta. Erro comum: julgar uma alegação pela confiança de quem a defende.

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02

Parapsicologia e percepção extrassensorial

A parapsicologia investiga telepatia, clarividência, precognição e psicocinese há mais de um século, e nenhum efeito sobreviveu à replicação independente sob controles rigorosos. Os experimentos ganzfeld, em que um receptor isolado tenta captar uma imagem enviada por outra pessoa, seguem controversos porque meta-análises diferentes chegam a conclusões opostas. O estudo de Bem, de 2011, que alegava mostrar que as pessoas sentem o futuro, não se confirmou quando outros laboratórios o repetiram, e ajudou a expor problemas de método que afetam toda a psicologia. Radiestesistas, entortadores de colheres e videntes que afirmam ajudar a polícia falham em testes cegos, e ninguém venceu desafios com prêmio em dinheiro sob condições combinadas. Erro comum: tomar um resultado isolado e surpreendente como prova.

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03

Astrologia, grafologia e leitura fria

Várias práticas prometem revelar a personalidade de alguém a partir de sinais sem relação com ela: a posição dos astros no nascimento, a forma da letra, as linhas da mão. Em testes cegos, astrólogos não associam mapas astrais a perfis de personalidade acima do acaso, e grafólogos não preveem traços nem desempenho melhor do que leigos. O que mantém essas práticas vivas é o efeito Barnum: descrições vagas, lisonjeiras e com afirmações para os dois lados são aceitas como precisas por quase todos. A leitura fria explora esse mecanismo de forma deliberada: observar aparência e reações, lançar frases genéricas, deixar que o cliente preencha os detalhes e lembrar só os acertos. Erro comum: considerar a sensação de ter sido descrito com precisão como evidência de que o método funciona.

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04

Terapias e produtos sem evidência

Um mercado enorme vende alívio por mecanismos que a física e a química não sustentam. Na homeopatia, muitas diluições são tão extremas que provavelmente não resta uma molécula da substância original no frasco, e revisões de ensaios clínicos mostram efeito igual ao do placebo. Pulseiras magnéticas e cristais não aliviam dores crônicas além da expectativa; praticantes de toque terapêutico, testados sem ver o paciente, não detectaram o suposto campo de energia melhor do que o acaso. Programas de desintoxicação prometem eliminar toxinas que nunca nomeiam, trabalho que fígado e rins já fazem. Esses produtos parecem funcionar por placebo, regressão à média e cura espontânea, e causam dano quando substituem tratamento eficaz. Erro comum: concluir que algo funciona porque muita gente sentiu melhora depois de usar.

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05

Mitos da psicologia popular

Muitas crenças sobre a mente circulam como fatos sem ter passado por teste. Aplicativos de treino cerebral melhoram o desempenho nas próprias tarefas treinadas, mas não aumentam a inteligência nem a memória do dia a dia. Fitas de autoajuda subliminar, em teste duplo-cego com rótulos trocados, produziram apenas a impressão de melhora, conforme o rótulo. A programação neurolinguística afirma que a direção do olhar denuncia mentira e estilo de aprendizagem, sem apoio em estudos controlados. Sob hipnose, a regressão a vidas passadas gera relatos vívidos, mas os fatos históricos verificáveis não aparecem, e os episódios de abdução alienígena coincidem com paralisia do sono e alucinações ao acordar. Erro comum: supor que uma ideia repetida por livros de sucesso e cursos corporativos já foi verificada por alguém.

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06

Como avaliar uma afirmação

Avaliar uma alegação exige ferramentas contra os atalhos da própria mente. Anedotas e depoimentos não são evidência: contam os acertos e omitem os erros. O viés de confirmação faz lembrar as noites de lua cheia agitadas e esquecer as calmas, criando correlações ilusórias que os registros hospitalares e policiais não confirmam. A regressão à média explica por que qualquer tratamento parece funcionar quando iniciado no pior momento. O efeito ideomotor mostra que movimentos involuntários, como os que deslocam a prancheta do tabuleiro ouija, parecem vir de fora. O ônus da prova cabe a quem afirma, e afirmações extraordinárias pedem evidências proporcionais, verificadas sob condições combinadas antes do teste. Erro comum: exigir que o cético prove que o fenômeno não existe.

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